terça-feira, 12 de outubro de 2010

Princesinha mal-educada (2010)

Conheci, em tempos idos
uma linda princesinha
pequenina, fofinha,
com grandes olhos castanhos
onde luziam a alegria,
a amizade e a bondade.
Os reis do seu coração,
por questões que a ultrapassavam,
reinava cada um
o seu reino encantado.
O rei, maravilhado,
pelo pequeno ser
a quem dera vida
sorria-lhe e oferecia-lhe
tudo quanto podia
sem olhar a meios
para a ver feliz.
Mas a rainha,
gente vil e maléfica,
sempre zangada com o mundo
enchia os ouvidos à princesa.
Reprimentas, mentiras,
enganos e traições,
tudo ela fazia
para afastar a princesa
do seu amado rei.
Mas eis que a princesa cresce,
como crescem todas elas,
e um dia, pois então,
conhece um pretendente
talvez o rei do seu próprio reino.
Mas o amor do seu pai,
o primeiro rei do seu coração,
não é bastante
para mudar todo o mal
que a rainha lhe destilara
para o seu próprio coração,
e a avareza volta,
os ciúmes, a garganeirice,
e a própria princesa recusa
trabalhar e aprender
e só pede, pede, pede,
coisa bem triste afinal,
porque diz de boca cheia
ao seu primeiro rei:
« se não pensasses em ti
compravas tudo para mim».
E é com tristeza
que o rei a vê mudar
e nem este novo príncipe
a parece endireitar.
A pequena princesa
só sabe olhar
para o seu próprio umbigo
mas queira Deus
que a princesa abra os olhos
para ver a verdade
e perceber
que ser uma princesa
não é esgotar os outros
para se encher ela.
É perceber que quem trabalha
também merece,
com toda a certeza
mais do que os malandros
e malandras do seu reino,
todo o amor e carinho,
todo o respeito
que deveria, sem dúvida,
pautar a sua própria vida.

PS - não estava descansada enquanto não deixasse este desabafo...

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